sexta-feira, 16 de abril de 2021

Resumo do livro: Pedagogia do Oprimido

 



O livro Pedagogia do Oprimido de  Paulo Freire, traz a reflexão: opressor X oprimido. O livro tem como objetivo debater a lógica “oprimido-opressor” nas salas de aula. A ideia aqui, não é eliminar o opressor, mas refletir sobre o que é ser opressor e oprimido. A educação é um agente social de mudança.

Ao longo dos capítulos, Paulo Freire vai mostrar a importância da educação, e como esta pode promover a mudança social.

No primeiro capítulo, com o título “justificativa da pedagogia do oprimido”, Freire reflete o processo de desumanização causada pelo opressor a seus oprimidos. Ele relata que a forma de imposição que o opressor envolve o oprimido, e faz com estes sejam menos, ou seja, vejam-se em condições onde ele  precise do seu usurpador. Neste capítulo paulo Freire desenvolve dois conceitos importantes: a revolução de contradição. Para ele uma revolução no campo da opressão, por buscar mudanças daqueles que dominam, acabam gerando novos opressores e oprimidos. Já na contradição o opressor se reconhece como o tal e o oprimido consegue vê-se subjugado por outro. É a contradição que gera a consciência. Mas a autor adverte que o processo de desintoxicação da opressão deve acontecer de maneira cuidadosa para que os opressores não venham a ser novos oprimidos. O processo de liberdade deve ser vista e sentida por ambas as partes. A libertação do estado de opressão é uma ação social, não podendo portanto, acontecer isoladamente. O homem é um ser social e por isso, a consciência e transformação do meio deve acontecer em sociedade.

Alguns pontos nos chamam atenção neste primeiro capítulo, conforme descrito abaixo:

“Inauguram a violência os que oprimem, os que exploram, os que não se reconhecem nos outros; não os oprimidos, os explorados, os que não são reconhecidos pelos que os oprimem como outro. Inauguram o desamor, não os desamados, mas os que não amam, porque apenas se amam. Os que inauguram o terror não são os débeis, que a ele são submetidos, mas os violentos que, com seu poder, criam a situação concreta em que se geram os “demitidos da vida”, os esfarrapados do mundo.” Aqui temos a principal mensagem deste primeiro recorte.

Considerando o contexto geral do livro, o autor busca mostrar como a educação no Brasil produz um fetiche social, reproduzindo a desigualdade, a marginalização e a miséria, como em: “Como poderiam os oprimidos dar inicio à violência, se eles são o resultado de uma violência? Como poderiam ser os promotores de algo que, ao instaurar-se objetivamente, os constitui?” Ele coloca que o ensinar a não pensar é algo puramente planejado pelos que estão no poder, para que possam ter em suas mãos a maior quantidade possível de oprimidos, que se sentindo como fragilizados, necessitam dos que dominam para sobreviverem. Mas como poderá o homem sair da opressão se os que nos “ensinam” são também aqueles que nos oprimem? No desenvolver de seu livro, Paulo Freire procura conscientizar o docente do seu papel problematizador da realidade do educando.

Já no capítulo II, Freire traz a discussão “a concepção ‘bancária’ da educação como instrumento de opressão. Seus pressupostos. Suas criticas”. Ele problematiza de que é o professor quem faz o seu aluno um mero depositário, ao considerar o aluno como incapaz de produzir conhecimento, e desconsiderar-se como um ser em formação contínua. Aqui temos uma amostra de sua reflexão: “A narração, de que o educador é o sujeito, conduz os educandos à memorização mecânica do conteúdo narrado. Mais ainda, a narração os transforma em “vasilhas”, em recipientes a serem “enchidos” pelo educador. Quanto mais vá “enchendo” os recipientes com seus “depósitos”, tanto melhor educador será. Quanto mais se deixem docilmente “encher”, tanto melhores educandos serão.”

Para Paulo Freire, ensinar a pensar e problematizar sobre a sua realidade é a forma correta de se reproduzir conhecimento, pois é a partir daí que o educando terá a capacidade de compreender-se como um ser social. Um vez conhecendo sua situação na sociedade, o educando jamais se curvará para a condição de oprimido, pois seu lema será a igualdade e por ela buscará.  A educação bancária, transformar a consciência do aluno em um pensar mecânico, ou seja, em sentir como se a realidade social fosse algo exterior a ele e de nada lhe aferisse. Já a educação problematizadora gera consciência de si inserido no mundo em que vive e diz  respeito à idéia de que deve existir um intercâmbio contínuo de saber entre educadores e educandos, com a intensão  de que os últimos não se limitem a repetir mecanicamente o conhecimento transmitido pelos primeiros. Por meio do diálogo entre professores e alunos, estabelecem-se possibilidades comunicativas em cuja raíz está a transformação do educando em sujeito de sua própria história. É a superação da dicotomia educado X educando. Nesse processo de educação problematizadora, o professor aprende enquanto ensina pelo diálogo de seus educando, estimulando o ato cognoscente de ambos, ou seja, ensina e aprende a refletir criticamente.

“E porque os homens, nesta visão, ao receberem o mundo que neles entra, já são seres passivos, cabe à educação apassivá-los mais ainda e adaptá-los ao mundo. Quanto mais adaptados, para a concepção “bancária”, tanto mais "educados”, porque adequados ao mundo.” Aqui temos uma defesa clara da importância do papel do professor. Este deve fazer o aluno a pensar criticamente, de forma a tirá-lo da realidade irreal que foi colocado.

O capítulo III, teremos o pensar sobre “a dialogicidade – essência da educação como prática de liberdade”  demostra o quanto é importante o desenvolvimento no diálogo no processo educativo.

Freire, já no segundo parágrafo, nos presenteia com a reflexão: “Quando tentamos um adentramento no diálogo, como fenômeno humano, se nos revela algo que já poderemos dizer ser ele mesmo: a palavra. Mas, ao encontrarmos a palavra, na análise do diálogo, como algo mais que um meio para que ele se faça, se nos impõe buscar, também, seus elementos constitutivos.” Ele deixa claro sobre o que vamos refletir neste capítulo.

A comunicação é expressa pela palavra e pela ação, por isso a verdade tem que está constante neste dois momentos de construção da educação, tanto do aluno quanto do professor. É isso que dá sentido ao mundo em que os homens vivem e se relacionam. O diálogo entre educador-educando começa em seu planejamento  do conteúdo programático, quando questiona o que vai refletir com seus alunos. Mas esse conteúdo não pode estar dissociado do cotidiano dos alunos. Ele tem que ter uma relação com o que eles vivem no mundo atual. Tem que haver uma conexão real.  Ensinar e aprender é uma constante investigação, porém Paulo Freire adverte para que não torne o homem, neste processo, um mero objeto de investigação. Que não se perca a essência do ser humano.

No último capítulo, e talvez o mais profundo, vamos falar sobre a “teoria da ação antidiagógica”, na qual descreve a importância do homem como ser pensante de práxis sobre o mundo. Aqui, Freite nos traz várias e profundas reflexões sobre o papel de cada um neste ensia. A ação transformadora se faz pela reflexão e ação. Demonstra também que um ser que se dedique a liderança revolucionária da opressão, não deve confundir seu papel de representante do diálogo oprimidos, impondo o seu ponto de vista. Tem que levar a verdadeira palavra daqueles que representa emergindo o novo em meio ao velho da sociedade dominante. O caráter revolucionário dos oprimidos, em sua ação transformadora, é uma ação pedagógica, da qual se emerge novas possibilidade de renovação social.

Em sua descrição sobre o sistema de opressão antidialógico, Paulo Freire descreve que são quatro os elementos utilizados para a realização da dominação. A primeira delas é a conquista, método pelo qual o opressor impõem jeitosamente sua cultura sobre o opressor;A divisão das massas para poder dominá-las, pois, povo unido é sinal de perigo de desordem social, esse é o discurso de quem oprime, por isso, evita-se trabalhar conceitos como lutas, revoltas, união, etc. É pela manipulação que os opressores controlam e conquistam as massas oprimidas para a realização de seus objetivos. Também a  invasão cultural é um instrumento da conquista opressora. A minoria dominante impõem sua visão de mundo e todos se guiam por ele.

Por fim, Paulo Freire encerra esse capítulo colocando os elementos da ação dialógica, que   são a co-laboração, a união, a organização e a síntese cultural. A  co-laboração do diálogo, entende o outro como o outro e respeita a sua culturalidade. A união da massa oprimida se faz necessária, e é papel do representante dessa classe mantê-la unida para ganhar força de transformação. A organização é um aporte da união das massas, mas é também um sinal de liberdade para os oprimidos. A síntese cultural se fundamenta na compreensão e confirmação da dialeticidade permanência-mudança, que compõem a estrutura social.

Em análise final, o ensaio resumido acima, é uma forma poderosa de repensar o sistema educacional brasileiro. Paulo Freire está propondo uma forma dinâmica, realista e reflexiva para transformar a educação, e consequentemente o status social no país. O que percebemos é que, ainda hoje, o sistema educacional brasileiro, ainda é o que Freire narrou no capítulo II, ou seja, fazemos dos alunos um repositório, e isso tudo devido a vontade do governo e das elites em manter o status quo que usam para ter poder e continuar no comando.


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Desenvolvimento da Atividade Pedagógica